A Abong – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais em parceria com o Iser Assessoria e o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e apoio financeiro da agência alemã Misereor, lançou em fevereiro o edital de seleção de práticas alternativas, com objetivo de divulgar, socializar e compartilhar experiências que construam novas vivências e ações políticas no caminho da superação das desigualdades, da desconstrução do racismo e do sexismo, da preservação da natureza e da gestão coletiva dos bens comuns.

O IMABE apresentou a prática alternativa executada há muitos anos por um grupo de indígenas das etnias Kaingang e Guarani, pertencentes a diversas aldeias das Terras Indígenas Xapecó, cujo trabalho é apoiado e assessorado pelo Instituto.

A prática foi selecionada entre as 10 melhores práticas alternativas a nível nacional.

O trabalho desenvolvido pelos indígenas consiste na valorização dos conhecimentos tradicionais para manter viva a cultura e a tradição. Os indígenas realizam o levantamento, identificação, produção em hortos medicinais e fazem a catalogação de plantas usadas na medicina, artesanato e culinária. Para disseminar esse conhecimento para toda a comunidade, criaram no ano de 2018 uma trilha ecológica em uma área de mata da aldeia indígena Toldo Chimbangue, de Chapecó, a qual é aberta permanentemente para visitação de estudantes, pesquisadores e toda a comunidade indígena e não indígena, mediante agendamento.

A visita a trilha, denominada “Trilha Raízes” é realizada com acompanhamento de um indígena, que explica como todo o trabalho é realizado e também é técnico em fitoterapia. Esse acompanhamento é feito entre os indígenas por escala e o grupo é responsável por fazer a manutenção da trilha e dos hortos medicinais.
Os resultados dessa prática foram apresentados nas escolas indígenas das aldeias de Chapecó – SC.

Todo esse trabalho envolve a participação da escola Indígena de Ensino Fundamental Fennó, de Chapecó, por meio dos professores que realizaram a tradução do nome das plantas para as línguas Kaingang e Guarani e a parceria com a Associação Indígena de Conhecimentos Tradicionais e Fitoterapia Nãnga da Região Sul do Brasil, no qual indígenas técnicos em fitoterapia repassaram a indicação medicinal de cada planta identificada pelo projeto.


O Instituto Madre Bernarda assessora e acompanha os indígenas há mais de 20 anos, promovendo cursos de formação e de resgate da cultura tradicional indígena, com apoio financeiro para execução das atividades do grupo e presença dos técnicos da instituição para dar suporte nas atividades do grupo, quando necessário.


É uma prática que promove muita interação entre os mais velhos e os jovens das aldeias, promovendo a troca de conhecimento, a valorização dos saberes, a vontade de manter viva a cultura e também o cuidado com a saúde e o meio ambiente.

Como prêmio, teremos esse prática divulgada por meio de reportagens, a serem produzidas e veiculadas em mídias parceiras e nos diferentes canais de
comunicação da Abong, e por meio de uma publicação impressa, a ser editada com as
materias produzidas sobre cada prática e com demais textos de reflexão sobre os
caminhos necessários de transição para uma sociedade mais justa e sustentável.

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