Em muitas comunidades, a violência contra a mulher não acontece apenas nos gritos ou nas marcas visíveis no corpo. Ela se instala de forma silenciosa, disfarçada de rotina, medo, controle e isolamento. E, ainda mais grave, essa violência se intensifica quando a mulher não conhece — ou não consegue acessar — a rede de proteção que deveria ampará-la.
No trabalho desenvolvido pelo IMABE e entidades parceiras, que acolhe imigrantes, mulheres, homens, idosos, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, temos observado que muitas mulheres vivem cercadas por abusos — físicos, psicológicos, econômicos e simbólicos — sem saber que há caminhos de ajuda e acolhimento disponíveis. E isso precisa ser dito em voz alta: violência que não é vista, não deixa de ser violência.
Quando a violência é silenciada pela desinformação
Para muitas mulheres, especialmente imigrantes ou em situação de exclusão social, há uma barreira cultural e linguística que as impede de buscar ajuda. Não sabem onde ir, quem procurar, ou sequer identificam que estão sendo vítimas. O controle financeiro, a ameaça à guarda dos filhos ou o medo de deportação, por exemplo, são ferramentas de opressão utilizadas por agressores para manter as vítimas em silêncio.
Rede de proteção: mais que leis, é sobre acesso real
O Brasil possui mecanismos legais de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher, as redes municipais e estaduais de enfrentamento da violência, as DEPECAMIs. Mas quando esses direitos não chegam às comunidades, quando os serviços públicos não dialogam com a realidade local, quando o atendimento é desumanizado — a proteção se torna uma promessa vazia.
É por isso que falar sobre rede de proteção vai além de citar leis: é garantir informação acessível, apoio emocional, segurança jurídica e acolhimento culturalmente sensível. Especialmente em contextos de migração e vulnerabilidade social, é preciso construir pontes entre as mulheres e os serviços disponíveis.
O papel das organizações sociais na escuta e no acolhimento
A escuta atenta e o acolhimento humanizado são o primeiro passo. Aqui no IMABE, oferecemos rodas de conversa, oficinas e atendimentos que criam um espaço seguro para que mulheres compartilhem suas histórias, fortaleçam sua autoestima e descubram seus direitos.
Mais do que oferecer respostas prontas, promovemos diálogos. Ajudamos essas mulheres a entenderem que violência não é normal, que silêncio não é paz, e que elas não estão sozinhas.
É preciso romper o ciclo — e isso é um dever coletivo
Falar sobre violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade. A denúncia precisa ser incentivada, mas também é essencial garantir que, ao denunciar, a mulher seja protegida, acolhida e respeitada. Caso contrário, o medo continua vencendo.
Romper o silêncio é o primeiro ato de coragem. Acolher é o nosso compromisso.
No IMABE, trabalhamos todos os dias para garantir que nenhuma mulher caminhe sozinha. Que todas tenham acesso à informação, autonomia e redes de apoio para reconstruir suas vidas com dignidade.
Se você vive ou conhece alguém em situação de violência, procure ajuda. Fale com a gente. Vamos juntas transformar o medo em força, e o silêncio em voz.
